terça-feira, 4 de abril de 2017

Reflexão Literária #03 - Aprofundamentos na dimensão da potência poética



Olá, gente!

Antes de mais nada, gostaria de informar que estou fechando parcerias para realizar encontros presenciais desse oficina. Por hora, tenho parceria firmada com dois espaços culturais, o Circulo Palmarino (Jd. Presidente Kennedy - Embu das Artes) e a Biblioteca Comunitária EJAAC (Valo Velho - São Paulo), que gentilmente disponibilizarão seus espaços semanalmente  e, claro, mantemos a parceria com Rotisserie e Doceria orgânica mais deliciosa dessas terras, a Renataly, que custeará uma parte dessa empreitada cultural! Gratidão querida, Nataly Mota e toda a família! Agradeço também aos coletivos que já abriram as portas de seus espaços! Espero que essas parcerias rendam bons frutos frutos a todos nós! 


Infelizmente, ainda preciso de mais recursos para iniciar e manter o projeto nesses dois locais ao longo do ano, mas. se o universo conspirar favoravelmente, em breve divulgarei as datas e horários de nossos encontros! 



Resumo da proposta desse projeto

A minha proposta é a seguinte: Postarei mensalmente, aqui no blog, uma reflexão sobre fazer literatura.  Poderei utilizar vídeo, textos de outros poetas (sempre com nome dos autores), estarei disponível para conversas no meu facebook e no e-mail da companhia. O grupo de debates da Oficina “SentidoLiterário” no facebook será reativado. Para além disso, penso em firmar parceria com a Associação EMBUsca DAS ARTES parta utilizar o projeto Literatório do núcleo de literatura da entidade como um meio de haver reuniões presenciais para partilha com grandes nomes da literatura local; isso também será desenvolvido uma vez por mês. Outro objetivo consiste em conseguir parcerias com pequenas empresas da região para custear encontros semanais em locais periféricos para construir o fazer literário junto a jovens e adultos, gratuitamente. 

Se você é empresário(a) e se interessou pelo projeto, mande um e-mail para edelua.artes@gmail.com ou deixe seus contatos nos comentários que eu mando os detalhes do projeto.

Agora vamos começar a reflexão.

O texto abaixo é um oferecimento de:



Localizada na Rua Belo Horizonte, nº 124, no charmoso Centro histórico da inspiradora Embu das Artes, a rotisserie doceria encanta pelos primorosos sabores sofisticados de suas deliciosas iguarias, preparadas com ingredientes orgânicas cuidadosamente selecionados pela gastrônoma Nataly Mota e sua família, bem como pelo amistoso acolhimento em seu ambiente intimista. Tudo para te proporcionar a mias sensacional, deleitosa e nutritiva experiência gastronômica! Para mais informações acesse o facebookhttps://www.facebook.com/Renatalydoces/?fref=ts ou ligue para (55) (11) 4385-1192.

Reflexão Literária #03 - Aprofundamentos na dimensão da potência poética         
     






Hoje daremos prosseguimento ao nosso mergulho naquilo que denomino “Potência Poética”, nos aprofundando em suas dimensões mais viscerais.

Para começarmos, gostaria de relembrar rapidamente o que já descobrimos sobre o assunto, só para uma breve recapitulação. 

Primeiramente, no texto “Todo mundo PODE ser um artista da palavra”, vimos que a arte, como um todo, é, na concepção que convosco desenvolvo, uma habilidade presente em todos os humanos e, munido do conhecimento mais básico sobre como fazer, cada indivíduo pode progredir independentemente, criando e evoluindo seus processos criativos para construir algo que chamei de estilo próprio. Começamos a conceber a ideia de Potência Poética como o equilíbrio de vários fatores que constituem textos artísticos. Ainda nesse texto, definimos o artista da palavra como a pessoa que consegue empregar, de maneira criativa, a língua que fala, visando transmitir uma mensagem de determinada maneira para que haja algum impacto no receptor.

Já no segundo texto, “Desvendando a Potência Poética”, fizemos a distinção entre a função poética, que é uma possibilidade de utilização da língua que pode ser mesclada a outras aplicações da língua para um fim não artístico, e a potência poética. Definimo-la como sendo os mecanismos linguísticos intrínsecos que, por possibilitar o acionamento e o ajuste da função poética, tornam-se essencialmente palpáveis apenas nos ambientes em que a função poética predomina sobre as outras, isto é, nos textos artísticos. E estudamos como é possível trabalhar a arte da palavra valendo-se do conhecimento dos sentidos das palavras relativamente corriqueiras para, através de jogos de oposição ou de sobreposição de sentido, criar um efeito inesperado que provoca no receptor a reflexão, quer seja por empatia, quer seja por ruptura.

Com esse exercício de entender, ainda que rasamente, o mecanismo de constituição de textos artísticos com base no sentido individual de cada palavra para criar um mosaico resultante da sucessão das imagens evocadas, compreendendo como este conjunto de paradigmas atinge a mente do receptor da mensagem, despertando nele o interesse pelo desdobramento do que foi expresso; vislumbramos um esboço ainda muito técnico e superficial do conceito de potência poética.

Para adentrar mais profundamente no assunto, se faz necessária uma discussão mais apurada acerca do que pode ser chamado de um texto artístico. Claro que o texto terá uma visão pessoal, baseada nas experiências, conhecimentos, ideologias, crenças e políticas que tenho sobre o assunto; porém, tentarei ser o mais criterioso quanto possível. Essa discussão é de crucial importância porque é a partir da contextualização do que é a arte expressa através da palavra que compreenderemos a real dimensão do que chamo de potência poética.  

A literatura artística, como todas as outras artes, se deriva da ânsia de expressar e comunicar sentimentos, opiniões, experiências, ideias, desejos, sonhos, imaginações, expectativas e outras matérias pessoais, portanto, trata dos assuntos pertencentes à natureza e à essência humana em seus vários aspectos, suas diversas nuances e personalidades. No entanto, essas características são comuns a todos os textos que podemos produzir, posto que a comunicação é a função primordial de qualquer língua, bem como de qualquer forma de expressão artística. Daí, podemos concluir que, se entendermos a arte da palavra enquanto a técnica de se comunicar através das palavras, todo texto é um texto artístico. De fato, saber tecer um texto de qualquer espécie exige um trabalho, um labor com a palavra. Quanto mais bem elaborado for esse trabalho, mais o texto em questão atingirá seu objetivo de deixar clara ou subliminar a mensagem que se quer transmitir.

Então, o que diferencia a parte da literatura que estamos acostumados a entender como artística (poesias, contos, romances e etc.) do resto da literatura? Por que uma reportagem de jornal ou um texto didático são construções textuais tão diferentes de uma poesia ou de um conto?

Descartemos por ora a dimensão da técnica de composição textual, até porque as técnicas e convenções que realmente distinguiam arte de outros textos já foram extrapoladas pelo pós-modernismo e arte contemporânea. Vamos dar um passo mais ousado em direção a um estágio anterior à realização prática da técnica, para melhor pontuar aquilo que divide a literatura em duas grandes e distintas "regiões". Atentamo-nos à intenção da técnica.

Falando de maneira geral, a língua pode ser usada com duas intenções: comunicar a outrem sensações, sentimentos, opiniões, acontecimentos, pensamentos particulares, individuais e, portanto, singulares e/ou passíveis de uma interpretação particular e intima; ou noticiar acontecimentos, instruir acerca de teorias, manifestar ou formular pensamentos de maneira científica, factual e, portanto, imparcial, ou seja, busca transmitir a impressão de verdade, na maior parte das vezes, impossibilitando interpretações pessoais sobre o fato.

Notoriamente, no primeiro caso, a  pessoa, ao tecer seu texto, deseja, de alguma forma, criar um vínculo ou aproximação pessoal com seu receptor, para isso, a linguagem textual será carregada de estímulos que tragam ao texto a sensação de presença do locutor, não necessariamente em primeira pessoa, embora seja o mais usual para atingir esse efeito de, me permitam a criatividade, "presencialidade". 

É importante observar que não estou qualificando a presença, apenas afirmando a noção de sua existência. Se essa presença é humana ou não, se está presente para agradar ou agredir, fica a critério do indivíduo que a constituiu enquanto presença. Clareando, chamo de presença desde o autor exposto, como no caso de uma carta, até uma existência imaginária criada para narrar uma história fictícia, abrangendo, portanto, o que hoje os literatos definem por eu-lírico. 

Por outro lado, a segunda intenção exige do autor o máximo afastamento possível por necessitar de uma aparente neutralidade de opinião. 

Digo "aparente" porque uma neutralidade total e absoluta  é impossível de se alcançar, posto que o que definimos por língua é um conjunto organizável de variados recortes da realidade - as palavras. Como já vimos no texto anterior, no exemplo da borboleta x mariposa, cada palavra selecionada para compor um texto carrega junto de si toda uma bagagem cultural que confere ao texto uma atmosfera e denota, sim, mesmo que muito bem mascarada pelo distanciamento entre autor-receptor, a visão de mundo e o impacto que a informação transmitida tem sobre o emissor. 

Permitam-me um breve desvio no texto para exemplificar e esclarecer essa questão.  

Tomemos para efeito de comparação as seguintes manchetes fictícias.                

" Terrorista detona bomba em badalada casa noturna paulistana e mata 3 sócios e 5 prostitutas."  

"5 profissionais do sexo e 3 investidores são mortos por fundamentalistas religiosos em atentado à casa noturna em São Paulo."

Escolhi o tema polêmico para que fique bem claro como a seleção das palavras definem a visão de mundo de uma pessoa. 

Apesar de noticiarem a mesma ocorrência de maneira igualmente neutras do ponto de vista do envolvimento pessoal, as duas manchetes carregam recortes diferentes do fato a que se propõem narrar.

Na primeira opção, o foco está no atentado e na estirpe do local onde o ato ocorreu, dando a sensação de que a importância da noticia está na fama do lugar; as vítimas são claramente tratadas como informações adicionais, principalmente as mulheres, que são colocadas por último, ou seja, aquilo que não está em destaque e são vistas de maneira vulgar, porém deixa aberto o significado de terrorista, que é aquele que provoca terror. 

Já na segunda opção, as vítimas são tratadas com maior respeito e são colocadas no foco, deixando o acontecimento em segundo plano e não coloca destaque no local, mas associa a imagem do agente da explosão a de um tipo muito específico de pessoa, o que pode gerar revolta social contra pessoas que se encaixem no padrão apontado.

Voltando à espinha dorsal da discussão sobre as "regiões" da literatura.  

Agora que já dividimos o vasto terreno da arte de tecer textos em duas grandes esferas, está na hora de entender que esses continentes têm áreas próximas em maior ou menor escala, fronteiras e intersecções, onde eu enquadraria a literatura que venho chamando de "artística" (poesias, contos e romances), críticas diversas, reflexões, manifestos e discursos políticos, entre outros; e áreas extremas onde um não toca o outro, que seriam, por um lado, cartas pessoais e por outro, textos didáticos e informativos.  

É importante notar que, para o lado neutro, a variável, além do grau de aproximação do leitor, é o grau de opinião que pode ser claramente expressa, enquanto que, do lado pessoal, a variação é quantas pessoas o texto pode atingir com sua profundidade máxima. Dessa forma, a escala dos textos neutros vai se tornando pessoal, enquanto que a escala dos textos pessoais é restrita apenas pela fronteira da língua no qual o texto é elaborado. 

Explico-me melhor. Pode-se tecer um texto pessoal, ou seja, a partir das particularidades individuais de cada pessoa, de determinada maneira que, mesmo em acordo com as regras e as possibilidades da língua que se fala, o significado interno do texto (aquele que é desdobrável e pode ser interpretado) fique restrito ao idealizador da mensagem, porque as imagens evocadas tem um sentido que, para este, é peculiar, não fazendo parte do senso comum, sendo demasiadamente próprias à sua vida e intimidade. Outras pessoas entenderão apenas as camadas superficiais de textos assim. Pode-se também fazer uso de expressões coloquiais que só um grupo próximo ao autor entende, numa carta, por exemplo. Ou, ainda, tecer um texto que, mesmo sendo cunhado de maneira particular, possibilita, por criar jogos lúdicos com o senso comum, uma profundidade acessível a qualquer pessoa que partilhe do conhecimento da língua na qual o texto foi criado. E é aqui que mora, na minha opinião, o verdadeiro diferencial da literatura artística.

Bons textos artísticos são, no meu entender, aqueles que, através do uso adequado das variadas técnicas, ganham a característica de permitir que o receptor adentre no universo do texto e ali se reconheça a tal ponto que se aproprie de sua mensagem e consiga sentir-se parte daquele mundo. Isso só é possível se o autor conseguir abranger em seu trabalho aspectos inerentes a toda a humanidade e transmiti-los de forma que o conteúdo seja forte o suficiente para causar empatia ou choque em qualquer tipo de pessoa, conferindo, assim, a noção de "presencialidade" ao texto.

Entretanto, conforme vimos ao longo dessa discussão, a noção de "presencialidade", por si só não garante que o texto seja factualmente artístico, pois está presente em qualquer texto da região pessoal da literatura, o que nos remete a pensar que a noção de "presencialidade" é flexível, uma vez que se adequa a várias funções. Essa capacidade de se ajustar a inúmeras situações indica que a "presencialidade" possui alicerces ou forças internas ainda mais subjetivas que constituem, sustentam e dinamizam a essência textual. 
    
Resumidamente, concebo essas partículas rudimentares que dão força e movimento à noção de "presencialidade" da arte da palavra da seguinte maneira

Intensidade - pode ser "quantificada" pelo nível de interesse do leitor em continuar lendo, é a vida do texto, o que nele nos toca enquanto seres humanos. O quanto e de que forma a palavra nos impacta.

Profundidade - o quanto o texto pode ser desdobrada e redobrada, o quão fundo ele chega nos leitores. O quanto a obra nos afunda em reflexões. 


Transparência - quão sincero foi autor ao se pronunciar, quanto há de verdade compartilhada com o leitor, o quão clara fica a intenção do artista. O quanto é possível se transpor para o lugar da presença.

Riqueza - quanto conteúdo de si e dos mundos que o rodeiam o artista consegue transmitir através da obra que constituiu. Quais os valores que a obra traz.

Construção Imagética - como o artista traduz a sua riqueza em imagens para que ela possa ser absorvida e trabalhada. O que o texto nos traz de experiência sensorial. 

Complexidade - de quantos recursos linguísticos o artista se valeu ao escrever a obra, qual a sua técnica (vocabulário, pontuação, presença de figuras de linguagem, etc).

Todas essas forças são independentes entre si e precisam encontrar um equilíbrio para que a noção de "presencialiaide" adquira contornos. Com isso, tento exprimir a ideia de que, por exemplo, um texto complexo não é necessariamente intenso; por outro lado, um texto intenso não goza necessariamente de uma boa construção imagética e assim por diante. Isto quer dizer que a existência satisfatória de UM desses fatores não implica imediatamente no sucesso de outro fator. 

E aqui é preciso compreender que cada força dentre as citadas tem diversos graus. Dessa perspectiva, não existe, por exemplo, a dicotomia Simplicidade X Complexidade, mas, sim, diferentes escalas da mesma força. Assim, um texto mais simples está se valendo de uma escala de complexidade menos complexa, porém, ser menos complexa não significa que é inferior, pois, usar uma linguagem simples pode garantir o bom funcionamento do texto como um todo, tornando-o mais intenso e facilitando a construção imagética, causando maior interesse em um maior número de  pessoas. Por outro lado, um texto mais complexo pode até dificultar a ação das outras forças, ocultando a profundidade e a riqueza atrás da técnica e embaçando a transparência, causando afastamento do leitor e neutralizando a noção de "presencialidade". Portanto, o que chamo de equilíbrio não é necessariamente a utilização da escala máxima de todas as forças ao mesmo tempo, mas o ajuste preciso para que cada texto atinja a máxima expressão da sua mensagem.         

O equilíbrio e harmonia desses fundamentos é o que denomino Potência Poética que é o que diferencia textos artísticos de outros textos. A forma individual com que se trabalha a língua afim de alcançar o equilíbrio desses fatores para produzir o impacto sobre o receptor é o que chamarei de estilo próprio daqui por diante.

Trabalharemos a partir do próxima reflexão mais profundamente cada um dos aspectos rudimentares da noção de "presencialidade".

Para quem quiser exercitar os conteúdos vistos na presente reflexão, sugiro duas atividades interessantes.

Atividade I

Escolha uma notícia, reportagem, texto científico ou didático. Procure preferencialmente um tema para o qual você não tenha uma opinião totalmente formada. Leia-o atentamente, tentando perceber as opiniões pessoais do autor.  Recrie o texto a partir de uma noção de presencialidade (pode ser real ou fictícia) que estava no local onde o texto original mostra, passe a mesma informação mas tomando uma postura de concordância, incredibilidade ou desacato com o autor original.

Atividade II

Crie um texto artístico, ou seja, poesia ou conto, que contenha a sua visão pessoal sobre algum sentimento que você teve na infância. Depois, numa linguagem simples, elabore dez perguntas par amigos questionando-os sutilmente sobre os fatores internos da noção de "presencialidade": Intensidade, Profundidade, Transparência, Riqueza, Construção imagética e Complexidade. Exemplo: O que você sentiu ao ler o texto? Conseguiu visualizar o ambiente onde o texto ocorre?  Mande o texto e as perguntas para dez amigos. Compare as respostas entre si e também com a sua intenção. 

Convido quem se sentir a vontade, é claro, a partilhar suas descobertas e textos conosco no grupo de debates do facebook Oficina “Sentido Literário”. Podem também comentar lá as reflexões que postarei aqui.

Reitero ainda a minha disposição para conversar via facebook Edgar Izarelli de Oliveira ou pelo e-mail: edelua.artes@gmail.com

Gratidão pela atenção! Desejo a todos grandes inspirações e uma ótima semana!

Edgar Izarelli

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Reflexão Literária #02 - Desvendando a Potência Poética



Olá, gente!

Primeiramente, peço perdão pelo atraso do texto.  Aviso que tentarei manter uma regularidade pelo menos mensal, pois percebi que não darei conta de escrever semanalmente. 
Hoje daremos continuidade às reflexões literárias iniciadas na útima postagem.

Começaremos a partir de agora a discutir sobre aquilo denominei, em nosso primeiro encontro, de potencia poética.

Penso que a melhor maneira de começarmos alguma discussão é sempre deixar o mais claro possível o objeto ao qual vamos nos debruçar.

Nosso objeto não é nada palpável, por isso, para ficar clara, a noção depende de muita delimitação. Vamos começar pelo mais simples possível e, depois, vamos nos aprofundando.

Em primeira instância, o objeto de estudo de qualquer artista da palavra é esse conjunto sons e regras a que chamamos língua. É a língua que fornece o conjunto de contornos - os nomes - às ideias, aos sentimentos e às coisas e, portanto, a possibilidade de expressar e entender o que está sendo expresso por outrem. Cada língua existente no planeta é fruto da observação do mundo através de uma determinada cultura, isso dá a cada idioma um conjunto único de sentidos que possibilita ao artista da palavra que trabalhe de infinitas formas dentro do que a língua que fala o permite fazer.

Essa noção básica é realmente importante para os artistas da palavra por conta da impressão de estranheza que se pode obter de coisas simples. Conhecer o sentido das palavras e saber como eles operam em seu senso habitual nos dá a possibilidade de utilizar a língua de forma que não seja a esperada. A essa possibilidade chama-se, em nossa língua, de Função Poética.

Como função poética se define o uso da língua de forma pouco convencional, lúdica e/ou imagética que não seja de natureza informativa (notícias, reportagens, textos didáticos, etc.) ou apelativa (anúncios, ordens, convites). Apesar disto, a função poética não se restringe apenas a textos artísticos, podendo estar presente em qualquer tipo de texto em maior ou menor carga, assim como as outras funções também podem ser encontradas em ambientes artísticos. 

Fica mais fácil assimilar se considerarmos a língua como uma máquina com várias chaves que podem ser ligadas em diferentes combinações e intensidades afim de produzir um único texto. 

Comparar a língua a uma máquina é um uso da função poética usada para exemplificar uma situação dentro de um texto didático, logo é correto pensar que a função pode ser usada para ilustração didática. 

No entanto, e isso é preciso que fique claro, a potência poética que cá estou introduzindo NÃO é a função poética da língua portuguesa, MAS, o conjunto de fatores que podem ampliar ou diminuir os sentidos da língua em textos predominantemente artísticos, ou, valendo-me da analogia maquinário acima, os mecanismos internos que possibilitam a existência, o acionamento e a regulagem da chave da função poética.

Estes mecanismos tendem a ser muito simples de se criar quando se conhece sentidos básicos da língua. Não é necessário, como já disse, dominar um imenso vocabulário para ser um ótimo artista da palavra, basta dominar os mecanismos que regem a arte. Obviamente, quanto mais palavras você tiver disposição maior vai ser a sua gama de mecanismos a serem usados, no entanto, esses mecanismos oriundos da vastidão de palavras são como aplicativos extras para celulares, deixando o aparelho mais equipado e, portanto, abrangendo uma variedade maior de situações, mas se um celular não tiver como entrar em contato com outra pessoa, mandar mensagens, tirar fotos, fazer vídeos e se localizar, será que vale a pena o investimento para adquiri-lo? 

Com um texto é a mesma coisa, SE NÃO HOUVER UM DETERMINADO GRUPO DE  FATORES BÁSICOS, NÃO HAVERÁ INTERESSE NA LEITURA, SOBRETUDO EM SE TRATANDO DE UM TEXTO ARTÍSTICO.       
    
Um exemplo do que estou dizendo: “A borboleta flutuava no turbilhão da noite”. Na frase/verso, as imagens que provocam o impacto são baseadas em contraposição de sentidos; a essa contraposição se chama paradoxo e é uma das figuras de linguagem mais encontradas na literatura de língua portuguesa, pois é relativamente fácil de se construir e, desde que bem usada, ajuda grandemente no processo de alcançar a tal potência poética. Mais adiante em minhas reflexões literárias, abordarei mais profundamente os usos e as operações dos paradoxos, bem como outras figuras de linguagem. Por ora, vamos nos concentrar na simplicidade da razão pela qual a frase em questão ficou tão profunda que nos faz parar para imaginar possíveis continuidades ou tentar desvelar sentidos escondidos.

O segredo está justamente no lugar mais óbvio que poderia estar, isto é, no senso habitual que a língua oferece para cada palavra, individualmente, quando colocado em um contexto que desafia o leitor a fazer uma leitura investigativa. Explico palavra por palavra, para que fique o mais didático possível.

Em nosso idioma, o português, a palavra “borboleta” remete a um inseto com grandes asas coloridas em formato singular, de voo característico e hábitos diurnos, sendo metaforicamente associada a uma transformação positiva e bonita; espécies noturnas similares são popularmente conhecidas como “mariposas” e, além do período de atividade, se diferem das primeiras pelo formato das asas e pelo habito de voar ao redor de luzes, sua conotação comum para nós, falantes do português, é alguém, geralmente do gênero feminino que passa pelo "submundo" da noite ou do misticismo, são ainda relacionadas a maus agouros.

Muitas línguas não têm essa oposição e associam as distintas imagens à mesma palavra, mas já que a nossa possui essa diferença, permite jogos de associação. Isso significa que eu podia ter escrito “A mariposa flutuava no turbilhão da noite”, mas, na minha visão, essa opção não atingiria, assim, isoladamente, uma potência poética tão instigante. Entretanto, dentro de um contexto propício essa frase pode ganhar dimensões maiores e mais profundas. Ao escolher “borboleta” e não “mariposa”, optei propositalmente pelo improvável. Uma borboleta voando à noite é mais potente, enquanto imagem poética isolada, do que uma borboleta voando de dia.

Poderia tranquilamente ser a opção contraria também e a frase não perderia o impacto. Percebam: “A mariposa flutuava no turbilhão da tarde”. A imagem continua fugindo do senso habitual, embora o sentido mude razoavelmente, por conta das outras palavras que constituem a frase.

A palavra “flutuava” remete, no senso habitual, ao ato permanecer sobre a água ou suspenso no ar, sem afundar ou cair, geralmente associado a um estado de inércia, trazendo uma imagem de algo aparentemente leve. Levando em consideração a imagem da borboleta/mariposa, flutuar ganha uma conotação de voar com calma ou se entregar. O contexto geral da frase isolada acaba por sugerir mais a ideia de calma por causa da palavra "noite"/"tarde", que, em senso comum, remetem a descanso e ao fim de um período temporal, se diferenciando pela presença de luz solar e pelas atividades sociais realizadas nesses horários. A palavra "turbilhão" se refere ao movimento rápido de circulação de um líquido ou de gás, um redemoinho, enfim, algo um tanto quanto intranquilo, descontrolado, impróprio, portanto, para uma criatura tão leve e frágil fazer uma coisa aparentemente calma como flutuar, vocês concordam?

Pois bem, essa sucessão de imagens relativamente comuns cria uma atmosfera lúdica na mente do leitor, que pode ter diversas interpretações baseadas em suas experiências de vida, em seus conhecimentos, em suas emoções e sua espiritualidade. Tendo a interpretá-la como metáfora de uma grande ideia extraída de um pesadelo ou alguém ingênuo perdido e chamando atenção em um ambiente inóspito ou misterioso, outras pessoas teriam outras leituras. Tamanha pluralidade de variáveis que surtem influência na interpretação é o que deve estimular o artista da palavra a buscar a própria maneira de se expressar, pois quanto mais íntima for a compreensão das palavras e as razões para a escolha dos termos usados, mais naturalmente flui a correnteza de sentidos que leva a mensagem desejada aos outros. Isso acontece porque dentro de uma organização que nos seja relativamente natural, sentimo-nos livres para usar amplamente a Potência Poética.

Por exemplo, eu usei a frase “A borboleta flutuava no turbilhão da noite” para explicar parte da teoria sobre potência poética porque sinto-me confortável em causar esse choque de expectativa através oposição de sentido. No entanto, esse não é a única forma possível de fazer a palavra ganhar valor.  Observem alguns versos de Viviane Mosé cunha na poesia intitulada "Prosa Patética":

"Me disseram que solidão é sina e é pra sempre.

Confesso que gosto do espaço que é ser sozinho.

Essa extensão, largura, páramo, planura, planície, região."

Para quem quiser ler a poesia na integra clique AQUI. Garanto que usarei muito este texto e outros da autora, pois admiro muito o trabalho dela. 

Porém, o que nos interessa agora é apenas demonstrar que nem todo texto artisticamente potente precisa necessariamente se basear em oposição de sentido. Nestes três versos, a potência poética é decorrente da sobreposição de imagens com sentidos similares, não exatamente palavras substituíveis entre si, mas semanticamente muito próximas de modo a criar  uma ambientação ilustrativa. Reparem na sequência: Solidão, Sina (destino), Espaço, Extensão, Largura, Páramo (planalto isolado nas montanhas andinas), Planície, Região.

Percebem? Todas as palavras remetem a um lugar espaçoso e aberto, onde se tem a sensação de liberdade e tranquilidade que é justamente a sensação agradável e incômoda da solidão. 

Para quem quiser se exercitar um pouco, a minha sugestão é criar dois textos curtos utilizando, em um a lógica da oposição de sentidos, no outro, a sobreposição de sentidos. Não misturem os dois em um texto só, porque o objetivo, por ora, é experimentar o que flui mais naturalmente.  

Deixo exemplos de como grandes poetas da nossa história utilizaram a oposição e a sobreposição de sentidos, aproveitem a leitura! 

Texto de apoio ao exercício de oposição.


"AS FACAS PERNAMBUCANAS

O Brasil, qualquer Brasil,
quando fala do Nordeste,
fala da peixeira, chave
de sua sede e de sua febre.

Mas não só praia é o Nordeste,
ou o Litoral da peixeira:
também é o Sertão, o Agreste
sem rios, sem peixes, pesca.

No Agreste e Sertão, a faca
não é a peixeira: lá,
se ignora até a carne peixe,
doce e sensual de cortar.

Não dá peixes que a peixeira,
docemente corta em postas:
cavalas, perna-de-moça,
carapebas, serras, ciobas.

Lá no Agreste e no Sertão
é outra a faca que se usa:
é menos que de cortar,
é uma faca que perfura.

O couro, a carne-de-sol,
não falam língua de cais:
de cegar qualquer peixeira
a sola em couro é capaz.

Esse punhal do Pajeú,
faca-de-ponta só ponta,
nada possui da peixeira:
ela é esguia e lacônica.

Se a peixeira corta e conta,
o punhal do Pajeú, reto,
quase mais bala que faca,
fala em objeto direto."

 - João Cabral de Melo Neto


            
 Texto de apoio ao exercício de sobreposição.

"EU, ETIQUETA
 
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comparo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar
cada vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente."
- Carlos Drummond de Andrade

Convido quem se sentir a vontade, é claro, a partilhar suas descobertas e textos conosco no grupo de debates do facebook Oficina “Sentido Literário”. Podem também comentar lá as reflexões que postarei aqui.

Reitero ainda a minha disposição para conversar via facebook Edgar Izarelli de Oliveira ou pelo e-mail: edelua.artes@gmail.com

Gratidão pela atenção! Desejo a todos grandes inspirações e uma ótima semana!

Edgar

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Reflexão Literária # 01 – Todo mundo PODE ser um artista da palavra



Olá



Hoje começarei a partilhar com vocês algumas reflexões sobre o fazer literário dentro de uma proposta de escrita criativa em poesia e prosa. Sempre tive vontade de passar minhas experiências adiante e, como já tive a honra de orientar um projeto de oficina literária para jovens (Oficina “SentidoLiterário”, 2012 ), sinto muita falta de todo o processo, desde a preparação da aula até o resultado, que era ver a evolução dos meus alunos. Então tive a ideia de começar este trabalho virtualmente. Claro que será um novo desafio para mim, e também sei que já há muitas propostas similares, mas cada poeta e cada escritor tem uma experiência e uma teoria única extraída de seus estudos e práticas, assim sendo, há espaço para todas as propostas.



A minha proposta é a seguinte: Postarei mensalmente, aqui no blog, uma reflexão sobre fazer literatura.  Poderei utilizar vídeo, textos de outros poetas (sempre com nome dos autores), estarei disponível para conversas no meu facebook e no e-mail da companhia. O grupo de debates da Oficina “SentidoLiterário” no facebook será reativado. Para além disso, penso em firmar parceria com a Associação EMBUsca DAS ARTES parta utilizar o projeto Literatório do núcleo de literatura da entidade como um meio de haver reuniões presenciais para partilha com grandes nomes da literatura local; isso também será desenvolvido uma vez por mês. Outro objetivo consiste em conseguir parcerias com pequenas empresas da região para custear encontros semanais em locais periféricos para construir o fazer literário junto a jovens e adultos, gratuitamente. 

Bom, dada a proposta, aproveito para deixar a primeira reflexão sobre literatura. Como não sei nem tenho como saber quem vai ler essas reflexões, tentarei ser o mais abrangente possível. Por isso, partirei do pressuposto inicial de que estou falando para pessoas que estão iniciando um trabalho literário e que querem melhorar suas capacidades.


Reflexão Literária # 01 – Todo mundo PODE ser um artista da palavra





“Todo mundo PODE ser um artista da palavra”. Esse pensamento tem se tornado cada dia mais palpável aos meus sentidos, já não sei precisar cronologicamente quando ele substituiu a ideia de arte, qualquer arte, enquanto dom, mas creio que foi em algum momento durante uma aula de linguística na faculdade, onde conheci o conceito de capacidade inata. Isso nada mais é do que uma habilidade que todos possuem, mas que precisa ser estimulada da maneira correta para funcionar adequadamente; diferenciando-se, portanto, de um dom que é uma capacidade individual e especifica que já é, por natureza, bem trabalhada.



Hoje, enxergo a arte (em geral) como uma habilidade humana, isso significa que a grande maioria, senão a totalidade dos humanos é apta a se expressar por meio de arte, se assim desejarem. Colocando de outra maneira, não há humanos que não possam pensar, se manifestar ou mesmo produzir artisticamente porque todos podem desenvolver as técnicas básicas das artes e a partir delas se desenvolver. Vale ressaltar que quando digo podemos me refiro ao potencial de fazer, ter a possibilidade de fazer. Com técnicas básicas não me refiro a estudos das técnicas de artistas consagrados, isso é um passo (ou vários) além do básico. 

Explico-me: para pintar um quadro o mais básico que precisamos saber é passar tinta em uma tela, portanto, quem sabe passar tinta numa tela pode ser pintor, bem como quem sabe usar a voz pode ser cantor, ou quem sabe mexer o corpo pode ser bailarino ou ator e assim por diante passando por todas as artes. Com isso não estou dizendo que ao passar tinta numa tela a pessoa se torna automaticamente pintor, pois, em meu entender de hoje, a arte, muito longe de ser a pura expressão do momento, é um estudo da profundidade do ser e da sua expressão; um trabalho de criação de imagens e conceitos que transmitam mensagens aos seus interlocutores, independentemente do estilo, da maneira em que for expressa. 

Em outras palavras, do mesmo modo que saber as quatro operações básicas da matemática, nos dias de hoje, não torna ninguém um matemático, saber e, principalmente, se contentar em saber apenas o básico da arte não faz nenhum artista. Por outro lado, assim como o matemático teve um dia de aprender as operações básicas para depois chegar a ser matemático, o artista também tem suas fases iniciais de descoberta e aprendizagem. Assim é possível concluir que há um possível matemático em todo aquele que aprende a contar, um possível pintor em quem aprende a pintar e, agora trazendo para a literatura, um possível poeta em quem aprende a falar (ou gesticular no caso de língua de sinais) e/ou escrever uma língua.



Sim, considero que não seja preciso saber escrever para ser um artista da palavra, até porque a palavra em essência é falada, a escrita é apenas a representação gráfica da fala, um registro visual das palavras. Isso nos leva a pensar que culturas que não desenvolveram a escrita tem, sim, sua literatura, que é oral, mas é ignorada por não ser estudada, uma vez que carece de registro. Desse ponto de vista, o trabalho com a palavra feito por repentistas, rappers, índios e outras culturas sem escrita são em essência e conteúdo tão poesias quanto poesias publicadas em livros; a única diferença entre elas é o meio em que são veiculadas. O conhecimento da escrita amplia possibilidades de jogos de linguagem e de reconhecimento pelo trabalho.



Outro conceito que geralmente associamos a imagem do artista da palavra é o de que ele possui um extenso vocabulário, um domínio magistral das regras cultas da língua e que é uma figura estudada nos ditames culturais de um determinado padrão que é considerado erudito, essa imagem, apesar de estar sendo desconstruída por movimentos contemporâneos, ainda compõe o imaginário coletivo e, assim, contribui de forma significativa para a elitização da arte da palavra, o que acaba por distanciar a literatura do interesse popular.



Um artista da palavra, em minha concepção, é aquele que, por meio de uma apurada reflexão sobre aquilo que deseja expressar, emprega os recursos léxicos e semânticos que tem à sua imediata disposição de forma a dar às sensações corriqueiras e à linguagem cotidiana a potência de transmitir mensagens de determinada maneira que ela atinja seus leitores/ouvintes, causando-lhes empatia ou choque através de desdobramentos do sentido literal da palavra expressa. Esses desdobramentos podem ser construidos a partir de infinitos mecanismos de linguagem que, apesar de incontáveis, partilham a intenção comum de dilatar a palavra, tornando-a maior em importância e, assim, manifestando uma potência semântica ampliada. A essa “potência” chamo de “Potencia Poética”. 

Apesar do termo se referir explicitamente à poesia, a potencia poética está em textos artísticos feitos em prosa também, agindo de outra forma. 

Digamos, previamente, que o que chamo de potência poética é um conjunto de fatores que, se bem equilibrados, são capazes de transformar em arte qualquer palavra. A maneira individual e natural como cada um explora esse conjunto de fatores é o que diferencia os variados e infinitos estilos de pensar e fazer literatura. 

Não há nenhuma pessoa capaz de reproduzir um estilo de escrita de outra pessoa, é possível imitar a técnica linguística utilizada por outrem, porém o estilo tem variantes subjetivas que torna-o único porque dependem de aspectos psicológicos, sociais, religiosos, visão política, valores culturais e etc.



Isso significa que nossa visão de mundo é que forma o estilo da arte da palavra que vamos conceber e, portanto, por qual caminho alcançaremos o equilíbrio entre os fatores que constituem a potência poética natural para nós.  

Por isso, costumo dizer que não posso orientar ninguém a se tornar o Carlos Drummond de Andrade ou Mário Quintana, são personalidades únicas, dotadas de grandezas tão singulares quanto as minhas ou as suas, mas posso orientar cada um no sentido de se expressar melhor dentro daquilo que já se tem de potência poética que é uma capacidade inata.



Sendo assim considerada, a descoberta da potência poética pode ser comparada com o processo de aprendizado de uma nova língua qualquer que não nos é habitual. E, como em todo e qualquer processo de aprendizado, tem fases. Respeitar a fase em que se está é crucial para o processo de aprendizado tanto quanto estudar e praticar. Algumas pessoas encontrarão mais facilidades que outras no processo, como é natural, porém a prática é indispensável para todos.  

Quanto mais escrevemos mais percepções temos de como as palavras podem se tornar mais expressivas e como elas se combinam para formar a potência de que vos falo. 

Discursarei mais profundamente sobre a potência poética no próximo texto.



No mais, é importante reforçar desde já que a arte da palavra tem mais a ver com como você é capaz de expressar as coisas que vive através da língua que fala, do que propriamente o que você vai falar/escrever.



Para finalizar esse primeiro encontro, gostaria de sugerir um exercício simples. Se lembre do acontecimento que mais marcou o seu dia e escreva sobre ele, descreva o acontecimento o mais breve quanto possível. 

Exemplo: “Li aquela notícia”. 

Depois, tente encontrar similaridades entre o movimento de objetos que estavam presentes no acontecimento e as sensações que o acontecimento despertou e as descreva. 

Exemplo: “Li aquela notícia e as portas rangeram minha raiva”. 

Por fim, arremate o texto buscando transmitir o que a sensação despertada trouxe em reflexo para você. 

Exemplo: “Li aquela notícia e as portas rangeram minha raiva. O estrondo que se seguiu me estranhou em silêncio!”. 

Pronto! Você escreveu um texto lúdico que passa uma mensagem bem trabalhada e clara e que vai causar a reflexão em quem quer que esteja lendo! É fácil e gostoso escrever! Agora, se quiser, você pode brincar com esse texto, dando-lhe mais adjetivos ou advérbios para complementar possíveis lacunas.



Convido quem se sentir a vontade, é claro, a partilhar suas descobertas e textos conosco no grupo de debates do facebook Oficina “Sentido Literário”. Podem também comentar lá as reflexões que postarei aqui.



Reitero ainda a minha disposição para conversar via facebook Edgar Izarelli de Oliveira ou pelo e-mail: edelua.artes@gmail.com



Gratidão pela atenção! Desejo a todos grandes inspirações e uma ótima semana!


Edgar

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Resultado do Sorteio da Promoção Primavera Premiada

Olá gente!


O sorteio da Promoção Primavera Premiada ocorreu na noite do dia 17/12/16! 
(O vídeo está disponível no youtube)



Recapitulando os nomes dos vencedores:

R$ 500,00- Bruna Martins Cruz
1ª cesta cultural- Sandra Regina Guerra
2ª cesta cultural- Miguel Andrade
Jantar a dois- Sandra Cardoso
Massagem terapêutica- Bruna Martins Cruz
Almofada artesanal- Aline Akomi Nagata
Cordéis- Edineia Andrade
Livro infantil- Luciana Viana



Nossos parabéns aos vencedores e nossa gratidão ao ano que se encerra, à todos um bom descanso!
Edgar & Lua


domingo, 4 de dezembro de 2016

Sobro o Sorteio da Promoçao

Estamos para encerrar mais um ano de muitas lutas, muitas alegrias, tristezas, luto e nascimento. Nada melhor do que estar entre amigos, celebrando a vida com arte.
 

Queremos dar uma ênfase especial em como nossa alma sente o mundo que vivemos e partilhamos, dar uma atenção especial à nossa espiritualidade.
 

Claro que estaremos abertos à toda manifestação artística que vier, afinal, arte por si ja é uma manifestação espiritual.
Contamos com a colaboração de todos com comes e bebes (para quem puder e quiser).


Aproveitaremos o momento para realizar o sorteio da promoção PRIMAVERA PREMIADA da EdLua.Artes! Para saber mais clique no link>> http://edluaartes.blogspot.com.br/2016/08/promocao-primavera-premiada-regulamento.html .

Estão todos mais que convidadissíssimos para nossa confraternização/ sarau ♥

O sarau D'alma foi pensado pela EdLua.Artes em parceria com Lobo Vagante, vocal da banda Pensamentos Libertinos.



 O evento acontecerá dia 17 de dezembro, terá  início às 16:00 horas, no Parque do Lago Francisco Rizzo (

terça-feira, 29 de novembro de 2016

NOta sobre a promoção

Pedimos humildemente que nos perdoem pela demora para anunciar data e local do sorteio, estamos na busca por um bom espaço ou evento cultural, assim que tivermos este espaço, anunciaremos aqui e em nosso blog. Conforme dissemos, o sorteio ocorrerá antes das festas de fim de ano.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Eventos e notícias da promoção

Galera, salve, salve! teremos dois eventos nessa semana.

Mas, antes um aviso prévio sobre a Promoção Primavera Premiada. 

Devido ao grande sucesso e para dar chance de participação a mais pessoas, a promoção será prorrogada por alguns dias! O sorteio ainda não tem data pra acontecer, mas ocorrerá, com toda a certeza, antes do natal! Fiquem atentos! Publicaremos aqui e na página EdLua.Artes, no Facebook, a data e local do sorteio ainda nesse final de semana! 

Confira o regulamento da promoção AQUI  

Agora, vamos aos eventos:


Amanhã, 24/11 a partir das 17:00 horas ocorrerá, no Centro Cultural Mestre Assis (Largo 21 de Abril, nº 29 - Embu das Artes - Centro) a vernissage da exposição MostrARTE, da qual, nossa querida artista plástica Lua Rodrigues estará participando com uma instalação interessantíssima sobre a arte! Também há poesias minhas expostas. 



Sexta-feira, dia 25/11, às 18:30, temos Encontros Decoloniais sobre garantia de direitos na escola, no CEU Cantos do Amanhecer (Av. Cantos do Amanhecer, s/n - Jardim Eledy, São Paulo - SP).


   
 E é isso gente! Esperamos vocês!

Abraços

Edgar Izarelli